Gallo, que trabalhou no mundo árabe, fala sobre a Copa de 2022, no Qatar

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Com passagens pelo futebol árabe, onde comandou o Al Ain, dos Emirados Árabes, em 2011, e o Al Quadisyia, da Arábia Saudita, em 2015, o técnico Alexandre Gallo foi procurado pela imprensa local para falar sobre a Copa do Mundo de 2022, que será realizada no Qatar. Confira abaixo, na íntegra, o artigo (imagem ao lado) já traduzido para o português:

“Qatar 2022. Esse sonho árabe está próximo de acontecer. Lembro muito bem da euforia brasileira a aproximadamente cinco anos para a realização da Copa de 2014. Uma distância que passou em um piscar de olhos, porém, para nós brasileiros, o sonho viria recheado de desafios, por sabermos das dificuldades financeira, cultural e social que a realidade do nosso país carrega nos braços. Agora, em 2022, tenho a convicção, por conhecer um pouco a região, pois trabalhei nos Emirados Árabes Unidos, onde me apaixonei por Al Ain, e também na Arábia Saudita, na belíssima cidade de Al Khobar, que tem tudo pra ser um sucesso, por saber do potencial de crescimento do futebol e da vontade do povo árabe de mostrar ao mundo seu poder organizacional.

Por ter passado no Qatar com a seleção olímpica em 2014, e em outras ocasiões visitando, acho que o Qatar vai mostrar ao mundo o que a tecnologia pode fazer em um país que ama o esporte e que tem a força local como uma referência técnica de um bom futebol na região do Golfo. Tenho acompanhado seus bons resultados e acho que o mix de atletas e treinadores de vários países ajudaram no seu crescimento. Aí, voltamos aos tempos de Evaristo de Macedo, o precursor do futebol no Qatar, um excelente treinador, que tive a oportunidade de ser treinado por ele no Santos. em 1993, que levou características importantes para o futebol no Qatar.

Sinto falta de outros treinadores por aí. Acho que existem treinadores brasileiros, de uma nova geração, que estão muito preparados para esse desafio. A flexibilidade de passar por inúmeros problemas faz com que os treinadores brasileiros não tenham uma única maneira de jogar. Adaptar-se ao tipo e características dos seus comandados sempre faz a diferença, sabedor que hoje os cursos da CBF têm mais horas-aula que os cursos da UEFA. Participar do curso com instrutores de Alemanha, Itália e Portugal, e com um observador da Confederação Sul-Americana de Futebol, foi ótimo e nos deu mais certeza de que, aqui, estamos em um nível muito bom. Há qualidade no trabalho.

Sofremos com o desastre do 7×1 e sei que isso pode acontecer, mas levar em conta tudo que o Brasil, atletas e treinadores fizeram pelo futebol mundial seria no mínimo insano, pois os EUA também já perderam competição no basquetebol e continuam sendo referência mundial.

Acho que o mercado árabe poderia saber mais de nós, das nossas condições e potencial, pois, a cada competição nossa, vivemos diferenças que em nenhum lugar do mundo acontece. Logística, calendário, clima, mudança de atletas, pressão, cobrança interna e externa… Sim, não é só futebol. Vivemos uma religião que às vezes cega, mas nos fortalece, pois cair e levantar está embutido em nós.

Falando com vários amigos, estamos sedentos por essas oportunidades, taticamente estamos preparados. Hoje sabemos que todos os países evoluíram, mas nós somos o país do futebol e não perdemos o nosso valor. As cicatrizes nos fortaleceram e o nosso futebol continuará a crescer. Essa é a nossa verdade atual. Sucesso antecipado ao Qatar, pois sabemos da sua força. Nos vemos em 2022. Abraços, Alexandre Gallo”

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