Os 10 jogadores mais raçudos do Atlético-MG nos últimos 20 anos
14 de abril de 2016
Alexandre Gallo discute transição da Base para o Profissional em São Paulo
14 de novembro de 2016

Pela primeira vez, em 12 anos de carreira como treinador profissional de futebol, sinto-me no direito de repudiar uma saída precoce de uma equipe. Não me indignar após uma decisão como essa seria concordar com a maneira como clubes e treinadores podem se relacionar no momento da contratação e da saída do profissional.

Em primeiro lugar, quero deixar claro que sempre respeito, respeitei e respeitarei as decisões tomadas pela diretoria de qualquer agremiação; é um direito deles. Concordar é outra história.

Estava adorando trabalhar pela Ponte. O time oferece boas condições de trabalho e tem uma torcida extremamente apaixonada pelo clube. As dificuldades encontradas na chegada serviram de combustível para meu trabalho.

Quando cheguei na Ponte Preta, me foi passado pela direção que a necessidade era, unicamente, fugir do rebaixamento. Claro que uma equipe com essa tradição podia muito mais do que isso e foi com esse espírito que encarei o trabalho: primeiro cumprir a meta estipulada pela direção e, depois, vislumbrar a classificação à próxima fase.

No momento que o árbitro apitava o início do jogo da minha estreia, fora de casa, contra a equipe do Audax, fui informado que já estávamos em 20º e último lugar no campeonato paulista.

Quero lembrar a todos que, até os 38 minutos do segundo tempo da última partida, estávamos nos classificando para a fase de quartas de final; ou seja, saímos de 20º lugar e terminamos em 8º lugar; de 3 pontos quando cheguei, terminamos com 22 e, por muito pouco, não chegamos à próxima fase.

Ficou sim, um gosto amargo pela não-classificação, porque crescemos durante a competição e tínhamos totais condições de seguir, mas não se pode dizer que não houve um bom trabalho, até mesmo comprovado pelos números.

Em 12 jogos, contando com a classificação à 2ª fase da Copa do Brasil, foram sete vitórias, dois empates e três derrotas, 21 gols feitos e 10 sofridos. Um aproveitamento de quase 64% dos pontos disputados.

Participei de todo o planejamento para o 2º semestre. A Ponte já contratou reforços importantes que foram definidos em comum acordo com a direção para o Brasileirão. Uma pena não seguir esse trabalho.

Agradeço aos atletas que fizeram o seu melhor. Inclusive, falei ao telefone com o capitão do time, Wellington Paulista, que também se mostrou indignado, não entendendo as razões da minha saída. Deixo aqui também meu muito obrigado aos funcionários do clube por toda dedicação com que trabalharam neste período e à imprensa local pelo respeito, generosidade e profissionalismo com que fui tratado. Qualquer outro comentário que seja colocado é mera transferência de responsabilidade.

Ao torcedor também fica um agradecimento especial. A convivência e parceria foram incríveis. Por onde eu passava recebia manifestações de agradecimento das pessoas pela evolução do time. Isso não tem preço. É o maior termômetro do trabalho estava sendo bem feito.

Deixo a Ponte, com um sentimento descrito em uma frase de um treinador amigo, morador de Campinas, que me ligou se solidarizando comigo pela decisão da direção: “Gallo, essa não é uma derrota sua, é uma derrota de toda nossa classe de treinadores profissionais do Brasil, o país do futebol”.

Vida que segue…vem coisa boa por aí.

 

Um abraço a todos

Alexandre Gallo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *